As encruzilhadas da exploração mineral em plena conferência do clima em Belém.
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A COP30 chega a Belém com um recado claro: não há mais espaço para contradições entre desenvolvimento econômico e preservação ambiental. E quando falamos de Amazônia, esse dilema ganha um nome concreto: mineração. Setor poderoso, determinante para a economia brasileira e global, mas também responsável por alguns dos maiores impactos socioambientais da região.
Escrevo daqui, acompanhando de perto as conversas, debates e tensões que circulam pelos corredores da conferência. O que se percebe é que a mineração, antes tratada quase como um tabu climático, finalmente entrou no centro da mesa. E isso é positivo. Não pela ameaça que representa, mas pela possibilidade real de reconfigurá-la como parte da solução e não apenas do problema.
Hoje, empresas, governos e cientistas discutem alternativas que já não cabem mais na prateleira do “talvez um dia”: descarbonização de processos, rastreabilidade total da cadeia, uso de energia renovável, recuperação obrigatória de áreas degradadas, participação efetiva de comunidades tradicionais e mecanismos de compensação ambiental mais rigorosos. São medidas urgentes, viáveis e, sobretudo, necessárias para qualquer país que tenha a pretensão de se tornar referência verde.
Mas o Brasil, anfitrião da COP30, carrega um desafio e um privilégio: é dono de uma das maiores reservas minerais do planeta, ao mesmo tempo em que guarda a maior floresta tropical do mundo. Esse encontro geopolítico, ecológico e profundamente humano exige coragem para abandonar velhos modelos de exploração e construir um novo pacto, onde riqueza não signifique destruição.
O espírito desta COP mostra que o caminho sustentável não virá da negação da mineração, e sim da transformação dela. E transformar aqui não é slogan, é inovação, governança, tecnologia, fiscalização e respeito. É colocar a Amazônia como protagonista da transição energética global, sem permitir que ela seja sacrificada em nome dela.
Se existe um lugar onde esse debate precisa nascer e ganhar força, é exatamente onde estamos: Belém. Aqui, os impactos da mineração não são abstrações, são rios, pessoas, territórios e modos de vida. E é daqui também que podem surgir as soluções mais ousadas, criativas e justas.
A COP30 nos lembra que desenvolvimento sustentável não é utopia: é decisão. E que, diante da urgência climática, o futuro da mineração precisa ser escrito com responsabilidade, transparência e, acima de tudo, compromisso com a vida.
Por Gabriella Monteiro – Jornalista da Rede Pariana de Comunicação.
