Por trás da cor azul que representa os líderes, há quem faça tudo acontecer.
O azul da Blue Zone, onde acontecem as reuniões entre chefes de Estado e autoridades mundiais durante a Cúpula do Clima em Belém, também veste alguns profissionais de quem está nos bastidores fazendo a COP30 acontecer.
Entre eles estão Luan de Cruz e Suzi Silva, moradores do bairro da Terra Firme, que viram na conferência uma oportunidade única de crescimento e aprendizado.
Os dois já trabalhavam de carteira assinada como auxiliares de serviços gerais. Quando surgiu a chance de atuar no Parque da Cidade, um dos principais espaços da COP30, a função mudou: agora são encarregados, responsáveis por garantir que tudo funcione com segurança e organização.
No crachá, a nova identificação chama atenção Technical Personnel (Pessoal Técnico). Um título que simboliza não apenas uma função, mas o reconhecimento do trabalho essencial que mantém a engrenagem da COP em movimento.
Sob regime CLT, com jornada de oito horas, eles seguem uma escala rotativa, revezando entre a Blue Zone e a Green Zone, áreas que concentram diferentes frentes de trabalho e de público. A empresa responsável estima cerca de 390 profissionais atuando no local.
O processo de credenciamento passou pela plataforma oficial e pela aprovação do Itamaraty. Nem todos conseguiram enviar os documentos dentro do prazo, e alguns acabaram ficando de fora.
A remuneração é de um salário mínimo, com adicional de insalubridade, mas para Luan e Suzi, o valor vai além do financeiro.
“É uma experiência muito boa”,
diz Luan.
No brilho do uniforme azul, eles representam uma parte muitas vezes invisível, mas indispensável, da COP30: quem faz o evento existir, mesmo quando as câmeras estão voltadas para os líderes.
