Executivo bicolor questiona escala da arbitragem, critica atuação do VAR em derrota para a Tuna Luso e anuncia queixa formal à Federação Paraense de Futebol.

O clássico entre Paysandu e Tuna Luso, válido pela terceira rodada do Campeonato Paraense, terminou muito além do placar. A vitória da Águia Guerreira, definida por um pênalti nos minutos finais da partida, desencadeou forte reação do lado bicolor, com críticas duras à arbitragem e questionamentos sobre possível conflito de interesses na escala do jogo.
Após o apito final, o executivo de futebol do Paysandu, Marcelo Sant’Ana, concedeu entrevista coletiva e apontou a relação de parentesco entre o árbitro central da partida, Olivaldo José Alves Moraes, e o observador do VAR, Olivaldo da Silva Moraes. Segundo apuração confirmada por jornalistas presentes na coletiva, trata-se de pai e filho atuando juntos na equipe de arbitragem do confronto.
Durante a coletiva, Sant’Ana demonstrou surpresa ao perceber a ligação familiar após a leitura da escala.
“Não sou do Pará, mas o observador do VAR é parente do árbitro?”, questionou. Ao receber a confirmação, o dirigente reforçou o tom crítico: “Então aqui não tem conflito, não tem nada? Fica difícil até argumentar”.
O lance que gerou toda a polêmica aconteceu aos 44 minutos do segundo tempo. Em disputa aérea, o zagueiro Castro, do Paysandu, cabeceou a bola, mas acabou atingindo um jogador da Tuna com o braço aberto. Inicialmente, o árbitro não marcou a infração, mas foi acionado pelo VAR para revisar o lance. Após a análise, Olivaldo José Alves Moraes assinalou o pênalti, convertido por Paulo Rangel, decretando a vitória da Tuna Luso.
Indignado, Sant’Ana classificou a decisão como um dos maiores absurdos de sua carreira no futebol.
“Tenho 11 anos de estrada e isso está no top três das situações mais inacreditáveis que já vivi”, afirmou.
Apesar das críticas, o dirigente fez questão de isentar a Tuna de qualquer responsabilidade pelo episódio.
O executivo também anunciou que o clube vai protocolar uma queixa formal junto à Federação Paraense de Futebol (FPF) e à Comissão de Arbitragem, além de solicitar o áudio completo da comunicação entre árbitro de campo e VAR. Segundo ele, houve falas inadequadas do árbitro direcionadas a jogadores do Paysandu durante a partida, o que reforça a necessidade de transparência.
Embora o Regulamento Geral das Competições não apresente, até o momento, uma norma específica que proíba a atuação de parentes na mesma escala de arbitragem, o caso reacende o debate sobre critérios, ética e credibilidade no futebol paraense.
Com a derrota, o Paysandu caiu para a terceira colocação no Parazão e agora volta suas atenções para o clássico Re-Pa, marcado para o próximo domingo (8), quando enfrenta o Remo em mais um duelo de alta tensão dentro e fora de campo.






